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29 de out de 2010

Havana Vanille - L'Artisan Parfumeur


Notas:
Notas de saída: cravo da índia, baunilha, frutas secas, rum

Notas de coração: sempre-viva, narciso, feijão de tonka

Notas de base: musk, madeiras, resina

Impressões:

Havana Vanille é um dos perfumes da série de viagens olfativas da marca francesa L'Artisan Parfumeur. O perfume foi criado pelo perfumista Bertrand Douchafour, inspirado em Cuba, na cidade de Havana, com uma temática ao redor do aroma do rum, especiarias e baunilha. O tema deveria funcionar completamente, dado a variedade criativa da marca e a capacidade do perfumista em lidar com aromas exóticos e especiarias, sendo o criador de um dos melhores perfumes da série, Dzonghka. Entretanto, Havana Vanille, enquanto muito bom, apenas consegue passar parcialmente a temática sugerida.

Havana Vanille remete muito mais a uma recriação de um ambiente exótico por meio de aromas e fotos do que o ambiente em si com seus aromas. A falta de um caráter marcante e intenso torna o aroma como uma memória de si mesmo, como um esquema quase perfeito, onde algo falta para que todas as peças se encaixem e formem o cenário proposto. A mistura de rum, baunilha, cravo e frutas secas constrói um aroma gourmand alcóolico, mas balanceado demais, sem a predominância de nenhum aroma. Na saída já é possível sentir o aroma especiado do cravo, o aroma cremoso da baunilha e o frutal licoroso das frutas secas no rum. Todos juntos formam um aroma similar ao de um pão de mel fresco, e isso é o máximo de exótico que a composição se aproxima em seus primeiros momentos.

Aos poucos, é possível perceber a presença de um tabaco especiado e com tons de madeira. O tabacco forma com a baunilha e o rum um acorde similar ao do Tobacco Vanille, porém novamente balanceado demais para ser exótico, para evocar as especiarias, aromas alcóolicos, o cheiro atabacado e intenso no ar. Parece mais o aroma embebido numa fotografia para resgatar os cheiros desejados da paisagem, deixando margem para que a memória olfativa de quem os sente preencha o exotismo que falta. A sempre viva e o narciso fazem, nesse segundo momento atabacado e especiado, uma ponta exótica de um floral ambarado sutil.

Essa viagem olfativa resgatada a partir de cheiros termina com aromas secos e amadeirados, que se distanciam do especiado abaunilhado que começa na saída e se transforma num abaunilhado atabacado na base. É um cheiro de madeira seca, que remete a lascas de madeira, como se a última lembrança de nosso exótico lugar cubano fosse uma armazém das frutas, baunilhas e licor, feito apenas de madeiras. O aroma resinoso dá um tom ambarado-incensado as madeiras, e um musk suave ajuda a mantê-las de forma sutil na pele.

O maior problema de Havana Vanille é a transferência do tema exótico para a mente do usuário. Os temas são sugeridos da saída a base do perfume, mas diferente de Dzonghka, Bertrand Douchafour nunca concretiza durante a execução o exotismo das notas. Assim, o que se tem no final é um aroma confortável, rente a pele, de uma baunilha alcóolica especiada. Se a combinação irá ou não remeter a Cuba, aos charutos cubanos, ao aroma quente do Rum, dependerá mais da sua imaginação do que do perfume.

2 comentários:

+ Q PERFUME disse...

O Vanille que foi substituído por essa nova fragrância era muito bom. Eu odeio quando um perfume bom sai de linha e entra outro ruinzinho no lugar GRRRR.

Rick disse...

Eu preciso conhecer esse Vanilia. Ele foi mesmo tirado de linha? Tinha ouvido os rumores na época do lançamento do havana vanille, mas nada foi confirmado, então fiquei sem saber.

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