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26 de set de 2010

Bleu de Chanel


Conceito:
Um uma nova fragrância amadeirada aromática para o homem que desafia as convenções e resiste ao comum todos os dias, encontrando satisfação no inesperado. Sua fragrância, uma mistura provocativa de notas cítricas e madeiras, liberta os sentidos - fresco, clean, profundamente sensual - uma assinatura de determinação e desejo. Seja inesperado.

Notas:
Notas de Saída:
Limão, laranja, grapefruit, pimenta rosa, hortelã-pimenta, noz moscada

Notas de Coração:
Cedro, vetiver, gengibre, jasmim

Notas de base:
Patchouli, sândalo, olíbano, mirra

Impressões:

Chanel Bleu serve como um belo exemplo da crise de originalidade que impera na perfumaria masculina atual. A impressão que se tem, a cada lançamento provado, é a de que já se sentiu aquilo anteriormente. O mercado de perfumes masculinos resumiu-se à escolha de notas seguras, consagradas como agradáveis ao nariz, combinadas sempre para passar uma sensação fresca e, supostamente, sensual. Vende-se hoje em dia frascos bonitos e propagandas dirigidas por diretores famosos e estreladas por belos atores, sempre sob palavras sensuais que tentam evocar o inesperado.

Mas como é possível ter o inesperado com uma criação assim? É frustrante ver que uma grife como a Chanel, que foi pioneira no uso de aldeídos com a criação de Chanel No 5 e ousada com o lançamento do Egoiste, um perfume masculino dominado pelo aroma do sândalo e com uma propaganda tão intensa e difícil de ser esquecida, tenha se rendido a maneirismos de grifes que dependem de lançamentos assim para poder sobreviver.

Se Chanel Bleu fosse um filme, com certeza seria uma comédia romântica que explora todas as piadas prontas possíveis, onde o final é óbvio e na qual você já vai preparado para rir do que já conhece e que já sabe o momento certo de rir. Poderia ser também um filme de terror, no qual os sustos e os mecanismos de tensão já são tão óbvios, sempre de forma constante e igual em cada lançamento desse gênero, que já não assustam mais a quem os assiste.
Também poderíamos enquadrar tal criação como um CD de greatest-hits vendido como um novo lançamento de um grande artista. E de fato, Chanel Bleu é uma compilação de todos os clichês frescos e pseudo sensuais existentes na perfumaria masculina. É um perfume que parece ter sido composto sem nenhuma paixão pelo seu perfumista - Jacques Polge deixou isso claro em entrevista dada a revista Hint Fashion Magazine ao dizer que não há nenhuma fantasia na criação de Bleu e que ele foi inspirado no aroma pós-barba de executivos saindo dos aeroportos (a entrevista completa na íntegra, em inglês, encontra-se disponível em http://www.hintmag.com/post/qampa-with-the-legendary-chanel-perfumer-jacques-polge--september-02-2010)

E de fato, o aroma de Chanel Bleu é digno de um pós-barba - tanto na intensidade, quanto na fixação. Ele abre na pele, ao ser borrifado, com um acorde cítrico e especiado - já nesse momento é possível identificar pelo menos três perfumes que parecem ter sido inspiração para essa criação. O lado cítrico lembra o cheiro de um limão recém cortado e misturado com uma pimenta fresca adocicada. O gengibre já se faz presente nesse momento e lembra bastante, tanto o uso do gengibre em L'Homme para YSL, quanto a combinação de gengibre, pimenta e notas cítricas no Dior Homme Sport. É um gengibre entre o aroma adocicado e picante e o cheiro de sabonete. Há algo na saída também que é vagamente similar a um perfume da própria Chanel, e após alguns minutos de reconhecimento da fragrância é possível notar uma citação ao próprio Allure da marca, citação que parece ter sido feita via Lalique Le Faune, que remete também ao Allure, só que possui um aroma mais genérico e cítrico.

Passados uns 30 minutos na pele, o perfume diminui consideravelmente de voz. Ao evoluir, parece que o coração do Allure Edition Blanche, também da própria grife, foi utilizado de uma forma retrabalhada aqui, dando mais ênfase a um aroma amadeirado de cedro, utilizando-se menos das especiarias e do aroma frutal do Edition Blanche, e acrescentando um leve toque de jasmim para adocicar a composição de forma discreta. É até difícil reconhecer o jasmim no centro do perfume, pois todos os aspectos sensuais e marcantes foram retirados e o que sobrou é um aroma vagamente floral e doce.

A base é o momento mais quieto e indistinto do perfume. É necessário aplicar muito dele, ou estar bem próximo do ponto aplicado, para poder sentir depois de 5 horas o que parece ser um formato padrão de se terminar um perfume masculino nos dias atuais - um amadeirado que sugere incenso e resinas, utilizados de forma tão esparsa que se tem a impressão de que faltou dinheiro ou tempo para a criação da base do perfume.

De certa forma, Bleu de Chanel consegue atingir o que se propõe - ser um perfume inesperado. Pois a última coisa que se esperaria da Chanel é um copy e paste de todas as tendências da perfumaria masculina, apoiadas por uma massiva propaganda que cria o conceito de um perfume sensual e inovador sem que haja um perfume sensual e inovador. Nem o tradicional uso da Chanel de matérias primas de qualidade consegue salvar essa criação de ser morna e fraca. Aos que pretendem comprar tal perfume sem provar antes, estejam avisados, os clichês são os mesmos já utilizados e o final, no fim das contas, já é o esperado de sempre.

13 comentários:

Lilia disse...

Puxa, pra vc ver como nos enganamos facilmente. Só de ler as notas eu ameiii, odas notas maravilhosas para um perfume.E no final das contas, isso não é garantia nenhuma de sentir um aroma diferenciado, exótico, surpreendente.

Rick disse...

Chanel Bleu é uma boa prova de que não bastam ter boas notas para criar um perfume original. Fica bem aquém da capacidade criativa da chanel

Luiz Alberto disse...

Grande decepção depois de tanto tempo de espera, acho que a criatividade o Polge tem deixado para os Exclusif mesmo, o resto é só para ganhar dinheiro, uma pena.

+ Q PERFUME disse...

Chanel Bleu deveria se chamar Chanel Blah! E nisso resumo uma resenha que me tomaria horas e que não vale a pena escrever!

Rick disse...

Concordo com você Simone! Ele poderia se chamar tanto Chanel Blah, Chanel Blergh, Chanel Bleh. Foi a minha maior decepção desse ano, não esperava nada assim da chanel.

vilmar disse...

eu adoro o alure sport,e quando ví o lançamento do bleu de chanel imginei:esse parece ser o perfume,rsrsrs mas me enganei,vou continuar com meu alure sport...

Rick disse...

Vilmar, eu sinceramente acho que não há muita diferença entre os dois não. A Chanel só está explorando a mesma idéia com pequenas modificações; se vc tiver cansado do sport e quiser algo parecido, pode ser que goste dele, mas se o que vc procura é um perfume diferente, na minha opinião o bleu passa bem longe disso.
Abraços!

Alvaro Silva disse...

Comprei esse perfume pelo notas de entrada, na loja onde comprei eles tinham a amostra e eu provei o perfume e eu adorei a saída dele, é bastante fresca, clean mesmo sabe, mas depois de algumas horas ele simplesmente murcha muito, ele fica muito brando, quase imperceptível. Sem falar no preço da linha Chanel que é elevado, digo elevado para um BLEU. Comprei e não compro novamente.

Luiz Carlos Cavalcante Lima disse...

Depois de ouvir tantos atributos negativos sobre o bleu, pois já havia sentido em uma loja, e realmente senti algo barato na saída, bem genérico, um perfume totalmente comercial, mas depois de resistir tanto a esta fragrância, teimei, e acabei comprando um, resultado, usei apenas uma vez, me decepcionou em um grau, não só a saída que eu tinha sentido na loja vagamente, mas desta vez tinha sido por inteiro, a evoluçao pífia, sem graça, e a base como foi mencionada no post, nula, sumida, apagada, enfim acabei dando de presente para um sobrinho que ficou maravilhado, não porque o perfume é de arrancar suspiros, mas sim por não ter um nariz calejado, por fim não tive coragem de vender este blefe da chanel, porque seria injusto cobrar por algo que não merece ser intitulado perfume de luxo, mas sim de lixo, um verdadeiro desleixo da chanel para aqueles que apreciam um bom perfume, depois disto desisti de continuar a colecionar perfumes, porque já não se lança mais perfumes para se apaixonar por eles, mas sim para angariar recursos ( dinheiro).

Thiago Schoenenberg disse...

Parabéns pela resenha. Concordo plenamente quando diz que "Chanel Bleu é uma compilação de todos os clichês frescos e pseudo sensuais existentes na perfumaria masculina", por isso faz tanto sucesso com público brasileiro (masculino) que é bem resistente às criações mais inovadoras.

Chanel Bleu pode ser tudo, só não é o que propõe a marca. O perfil de quem usa Chanel Bleu está longe de ser a de " um homem que desafia as convenções e resiste ao comum"...

Chanel Bleu deveria ser chamado de Déjà vu.

Thiago

alexandre afonso disse...

Passei por isso quando comprei o Dior Fahrenheit apenas movido por elogios. Que perfume sem vergonha!

Bruno Nóbrega de Sousa disse...

Rick, conheci o blog por causa da entrevista no Ego In Vitro. Realmente é um material muito vasto. Em país onde tão pouca gente fala (bem) sobre perfumes, é um alento ter encontrado o PDD. Quanto às opiniões sobre a mediocridade do Bleu, teimo em ser uma voz dissonante. Tenho pra mim que se trata sim de um perfume sensual, refrescante e de alta qualidade. Tem um apelo comercial? Sim, sem dúvida, mas acho exageradas as críticas que recebe. É um grande perfume, talvez não uma obra-prima, tudo bem, mas justiça seja feita: Bleu provavelmente se encontra na parte de cima da pirâmide dos perfumes masculinos criados nos últimos 10 anos. Um abraço, e parabéns pelo blog.

Henrique/Rick disse...

Bruno, obrigado pelo seus comentários! Quanto a ser uma voz dissonante, acho perfeito. Uma visão oposta e justificada é muito bem vinda. Essa é uma das avaliações mais antigas minhas, certamente na época tinha uma mentalidade e uma postura crítica. Hoje creio que apesar de não encontrar graça nele o tom seria outro. 5 anos muda muito a gente! Outro abraço e sinta-se a vontade para comentar sempre que quiser

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