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14 de ago de 2010

M7 - Yves Saint Laurent

Lançado em 2002, M7 é o sétimo perfume da grife YSL  executado pelos perfumistas Alberto Morillas e Jacques Cavallier sob a direção criativa de Tom Ford, na época o estilista responsável pelas grifes Yves Saint Laurent e Gucci.
Pirâmide Olfativa:
Notas de saída: rosmarinho, laranja mandarina, bergamota
Notas de corpo: agarwood, vetiver
Notas de fundo: ambar, almíscar, raiz de mandrágora

Impressões:
Alguns perfumes marcam períodos nossa vida, especialmente porque nós, seres humanos, acabamos criando associações entre cheiros, cores, sons a momentos bons e ruins pelos quais nós passamos, e tais referências nos ajudam a recriar e viver novamente tais momentos. M7 para mim é o perfume que marcou o início do meu interesse por perfumes, por ter sido o primeiro que senti e me apaixonei, e que despertou meu interesse por conhecer mais a perfumaria.

É possível perceber em todos as criações da YSL, antes da aquisição pelo Loreal, aromas intensos, marcantes, que não parecem fórmulas de sucesso derivadas de outros perfumes já lançados, copiados apenas para gerar dinheiro com o lançamento de um produto que nada acrescenta ao mercado. Essa sétima criação combina perfeitamente com a ousadia do estilista Tom Ford e com a qualidade da grife.


Tom Ford foi visionário ao conceber um aroma sensual, moderno, mas ao mesmo tempo fiel a cheiros utilizados há muito tempo na perfumaria. M7 foi lançado em uma época onde os perfumes comerciais ainda não haviam explorado o aroma da madeira de agarwood. Tal madeira é tradicional na perfumaria árabe, possuindo um aroma complexo, que varia entre um aroma licoroso, medicinal, amadeirado, animálico, seco, adocicado. Em tal perfumaria, essa nota costuma estar associada ao aroma aveludado das rosas e especiado do açafrão. Perfumes árabes que levam agarwood podem assumir preços altos, pois tal madeira, devido ao uso, se tornou ameaçada de extinção. Além disso, algumas variações de agarwood dependem de um processo de amadurecimento demorado, para que possam atingir seu aroma complexo e denso. Por isso, alguns perfumes de agarwood são criados especificamente para reis árabes e são um símbolo de luxo e poder.

M7 consegue capturar o aroma complexo da madeira de agarwood em uma criação única, artística, porém usável e que traduz bem o aroma luxuoso e intenso do oud, como tamdém é conhecida tal madeira. A primeira impressão que se tem do cheiro é a de uma abertura medicinal intensa, desagradável para alguns. Essa primeira impressão é seguida por um aroma licoroso denso, fechado, como que um licor preparado com ervas, onde o aroma doce do licor se contrasta com o aroma seco das ervas.

Conforme evolui na pele, é possível identificar o aroma mais amadeirado e seco do agarwood, acentuado pelo aroma do vetiver, que diminui o efeito licoroso e medicinal da saída. A fase amadeirada e quente, porém seca, de agarwood e vetiver dura um bom tempo e quando começa a evoluir dá espaço para um aroma ambarado e almiscarado, que conduz o aroma da madeira de oud para o seu lado mais incensado, deixando sugerido uma leve nuance animálica. Na versão em shower gel do perfume, é possível perceber também, em evidência, o aroma picante e terroso da raiz de mandrágora, que infelizmente não é acentuada no EDT.

O que mais me impressiona no M7 é como o aroma de agarwood é presente e acentuado por todas as notas. Em todos os momentos é possível perceber como cada aspecto dessa rica madeira é acentuado ou sugerido, como se todas as notas tivessem sido moldadas pelos perfumistas para serem um apoio para o centro nobre e sensual desse perfume.

M7 é perfeito para dias frios. É um aroma refinado, marcante, que tem uma excelente duração na pele, de tal forma que é necessário dosar sua aplicação para que o aroma não se torne agressivo e sufocante. É do tipo ame ou odeie, exatamente pela sua exposição do aroma de agarwood em toda sua complexidade.


Fonte: http://www.nathanbranch.com/2008/06/ysl-m7.html


Observação: após a aquisição da YSL pela Loreal, o M7 foi reformulado. Vendido atualmente em um frasco mais barato, transparente com um sticker ambar colado ao fundo, o perfume perdeu parte de sua intensidade. Se tornou um aroma mais seco, terroso, com a saída medicinal e licorosa encurtada. A fixação e o rastro ainda são bons, mas não são páreo para a criação original, que é e sempre será uma das minhas preferidas.

3 comentários:

Kerjean disse...

Porque não estamos mais achando o M7 nas perfumarias? inclusive em recente viagem a Paris foi difícil de encontrá-lo....

Henrique/Rick disse...

Kerjean, vou repetir aqui o comentário que eu fiz em uma outra postagem recente:

Ricardo, o Dino disse tudo no comentário dele. O M7 a uns anos atrás passou por uma reformulação e agora foi descontinuado de vez no frasco original. Ele passou a fazer parte de uma linha de clássicos lançada no final do ano, e que ainda não é fácil de se achar online e por aqui. Ele passou por uma pequena mudança de nome também, agora se chama M7 Oud Absolu. Segue abaixo um link do fragrantica com imagem do frasco novo: http://www.fragrantica.com/perfume/Yves-Saint-Laurent/La-Collection-M7-Oud-Absolu-13735.html

Cassiano Neto disse...

Parabéns pela resenha, incrível como me prendeu a atenção e esta perfeitamente descritiva e coerente com que penso a respeito deste, sou fã da YSL e em especial o M7, já li e pesquisei varias resenhas sobre, mas nenhuma chegou a tamanha perfeição. obrigado !!

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